Perguntas Frequentes

Garoto olha para frente através de um binóculos. Atrás dele uma cabana de palha e o céu azul.

Qual a missão do programa Criança e Natureza?

Criar condições que favoreçam a conexão da criança com a natureza, para o bem-estar da infância e para a saúde do planeta.

Para isso, traçamos estratégias e ações que envolvem famílias, educadores e o poder público para materializar nossos sonhos de uma infância rica em natureza.

Por que é importante investir em um programa que promove a conexão da criança com a natureza?

O mundo mudou – e continua mudando – e a infância também. Apesar do amplo conjunto de evidências científicas que comprovam os benefícios das oportunidades de brincar e aprender ao ar livre na infância, as crianças urbanas têm tido menos chances de usufruir desse direito, devido a um contexto complexo, relacionado a diversos fatores.

A natureza tem o poder de proporcionar saúde, felicidade e potência para todas as crianças. E aquelas que sentem amor, respeito e pertencimento em relação ao mundo natural têm maiores possibilidades de construir um ambiente melhor para todos os seres vivos.

Criança sentada

O que é “natureza” para o programa Criança e Natureza?

A natureza de que falamos pode ser encontrada numa ampla diversidade de ambientes, construídos e não construídos, especialmente aqueles a céu aberto, compostos por elementos naturais como rochas, terra, água, plantas, insetos, pássaros e todas as formas de vida.

Estamos tratando da “natureza próxima”, aquela que pode ser acessada todos os dias em casa, na escola ou no bairro: pátios, ruas, canteiros, jardins, praças e parques. E também das áreas protegidas remotas e sem interferência humana, que propiciam experiências tão abundantes quanto a natureza desses lugares.

Para o Criança e Natureza, a criança tem direito ao convívio com ambientes saudáveis e, por isso, nosso conceito de natureza não inclui áreas degradadas, poluídas ou que ofereçam riscos à sua saúde ou segurança.

Para que crianças advoga o programa Criança e Natureza?

O programa tem como foco crianças de 0 a 12 anos que vivem nas diferentes realidades brasileiras, principalmente em contextos urbanos.

Quais os objetivos do programa Criança e Natureza?

  • Produzir, fomentar e disseminar conteúdos sobre a importância da conexão da criança com a natureza e seus benefícios.
  • Apontar caminhos que estimulem e facilitem as experiências diretas das crianças na natureza.
  • Influenciar políticas públicas que favoreçam o contato das crianças com a natureza no contexto urbano.

Quais os eixos de trabalho do programa Criança e Natureza?

O Criança e Natureza adota uma visão sistêmica, atuando em cinco frentes que impactam a relação da criança com a natureza:

Educação: pelo desemparedamento da criança na escola; por espaços escolares mais verdes, desafiadores e em interação permanente com o seu território; por mais tempo para as crianças brincarem livremente na natureza.

Famílias: por mais tempo ao ar livre na agenda de lazer das famílias.

Cidades: por cidades vivas, mais verdes e com mais espaços públicos amigáveis para as crianças.

Conservação da natureza: pela construção de vínculos afetivos entre a criança e a natureza; para que respeitem e reconheçam a natureza como direito de todas as formas de vida.

Saúde: pela valorização do contato com a natureza como elemento essencial para a saúde física, mental, emocional e espiritual na infância.

De forma transversal, advogamos pela oportunidade de correr riscos benéficos como componente essencial da aprendizagem e do desenvolvimento da criança.

menino e galho

Por que a conexão da criança com a natureza é importante?

A conexão da criança com a natureza traz benefícios tanto para a criança quanto para a natureza.

A conexão com a natureza é muito importante para o desenvolvimento infantil. As crianças são apaixonadas pelos espaços ao ar livre, vibram ao tocar e interagir com os outros seres vivos, anseiam por pesquisar e explorar e buscam o encontro com a água e com o fogo.

Há décadas, e com mais frequência nos últimos anos, pesquisas em diversas áreas – saúde, educação, planejamento urbano, conservação da natureza – vêm buscando responder por que favorecer a potência do encontro entre a criança e a natureza é tão importante para ambas. Este conjunto de pesquisas indica que a natureza favorece o desenvolvimento intelectual, emocional, social, espiritual e físico na infância. E aponta também que a criança que desenvolve vínculo afetivo com a natureza tenderá a fazer escolhas e ter atitudes mais sustentáveis e benéficas para o meio ambiente na vida adulta.

O acervo do Criança e Natureza contém uma boa mostra de pesquisas que comprovam a importância dessa conexão.

Como é esse “contato” que o programa Criança e Natureza sugere que a criança deve ter com a natureza?

O programa Criança e Natureza advoga por um contato qualificado com a natureza, que propicie à criança uma relação afetiva e espontânea com o ambiente:

  • Com liberdade para escolher o que fazer, como brincar, que riscos correr
  • Com permissão para experimentar, criar, se relacionar com o ambiente à sua maneira
  • Através do contato físico direto, pelo corpo e pelos sentidos
  • Com tempo livre para brincar, menos pautado pelo relógio ou pela agenda
  • Tendo a natureza não apenas como cenário, mas como lugar fundamental à constituição humana
  • Na companhia de um adulto de referência que compartilha com ela o encantamento pela natureza.

Como o programa Criança e Natureza se alinha aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da ONU?

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) foram negociados na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, em 2015, para orientar políticas nacionais e atividades de cooperação internacional até 2030. O Criança e Natureza acredita que os objetivos do programa se alinham aos ODSs, especialmente aos seguintes:

 

ods1

Como a ação do Criança e Natureza se alinha a estes objetivos?

A natureza contribui para o desenvolvimento saudável das crianças, para que compreendam a importância de cuidar e reforcem o vínculo natural e orgânico com a comunidade, tendo a natureza como mediadora (Objetivo 3). Em escolas que usam a natureza como sala de aula, há comprovadamente uma melhora no desempenho dos alunos. Além disso, eles tendem a ser mais criativos, concentrados, autônomos e com maior imunidade a doenças (Objetivo 4). A natureza é democrática e inclusiva, dialoga e acolhe pessoas de todas as idades, sem distinção de gênero ou poder aquisitivo (Objetivo 5). Diante da realidade da concentração da população em cidades, o Criança e Natureza advoga para que ofereçam mais áreas verdes e natureza (Objetivo 11). Entendemos que as crianças são as futuras guardiãs do planeta e, ao criarem vínculo afetivo com os ambientes naturais, serão mais propensas a preservar a natureza quando adultas (Objetivos 6, 14 15, 16 e 17).

De que maneira o programa Criança e Natureza se relaciona – e contribui – com a questão das mudanças climáticas?

Acreditamos que as crianças não se percebem separadas da natureza até por volta dos 12 anos de idade e que, portanto, esse é um período da vida no qual devem vivenciar o mundo natural pautadas pela alegria e pelo vínculo. Essas experiências contribuem para que as crianças se relacionem com a natureza pela dimensão do sensível e do encantamento e as ajuda a ter capacidade de sonhar o futuro de si e do mundo.

Isso não quer dizer que a criança deva ser alienada do grave contexto ambiental no qual estamos imersos, mas sim ser apresentada a ele por meio de informação e conhecimento de forma gradual, ao mesmo tempo em que tem a possibilidade de viver a unicidade com a Terra por meio de experiências de afeto, beleza, harmonia e contemplação.

Acreditamos que esse caminho ajudará a formar pessoas capazes de se relacionar com a vida, integrando racionalização e afeto, com uma compreensão verdadeira sobre o adoecimento do planeta e nosso papel na reconciliação entre humanidade e natureza.

Além disso, ao advogar por cidades mais verdes e amigáveis às crianças, o Criança e Natureza estimula, por exemplo, a mobilidade ativa e o consumo sustentável e, consequentemente, contribui para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global.

O programa Criança e Natureza realiza atividades práticas em contato direto com as crianças?

Alinhado aos eixos estratégicos de atuação do Alana, comunicação e advocacy, o trabalho do Criança e Natureza está centrado na disseminação de conhecimento e em advocacy por políticas públicas que contribuam para trazer mais natureza para o dia a dia das crianças. Não realizamos atividades diretamente com as crianças: trabalhamos para as crianças mas não com as crianças, em articulação com stakeholders em todos os eixos do programa: educadores, instituições de ensino e cuidado, profissionais de saúde, mães, pais e responsáveis pelas crianças, legisladores e membros do executivo, ambientalistas, formadores de opinião e planejadores urbanos.

O programa Criança e Natureza realiza parcerias com as escolas?

O apoio do programa Criança e Natureza às escolas se dá de forma sistêmica e não individual. Oferecemos conhecimento, repertório, ferramentas e conteúdos que apoiam as escolas na direção de proporcionar espaços mais amplos, mais verdes, mais naturais, além de tempo e liberdade para que as crianças possam usufruí-los em sua vida escolar. Todos os materiais produzidos pelo programa são disponibilizados gratuitamente e online pelo site, e pelas redes sociais. A equipe do Criança e Natureza pode realizar palestras para formação e sensibilização da comunidade escolar, caso haja disponibilidade.

Qual é o papel das áreas protegidas (unidades de conservação) no contato da criança com a natureza?

As Unidades de Conservação da Natureza (UC) são áreas que possuem recursos fundamentais para a vida e por isso são protegidas e devem receber o cuidado de todos. Nessas áreas estão guardados os patrimônios biológicos e culturais únicos existentes nas florestas, savanas, rios e oceanos. As UCs também garantem a sobrevivência de várias espécies, inclusive a humana, e podem colaborar com o desenvolvimento sustentável de seus entornos, bem como com a qualidade de vida de toda a população. Atualmente, as UCs ocupam cerca de 17% do território brasileiro, divididas em 12 categorias.

Para as crianças, essas áreas são espaços onde é possível se relacionar com a natureza em seu cotidiano nas cidades – em parques e reservas centrais ou periurbanas. É a “natureza próxima”, aquela que será a paisagem de sua infância e onde muitos aprenderão a andar de bicicleta, a subir numa árvore e poderão brincar com sementes, galhos e seres vivos que habitam essas áreas naturais.

Já os parques nacionais são os espaços onde a criança tem a chance de viver experiências mais longas em áreas de natureza primitiva, longe de interferências humanas. Afinal, a experiência na natureza, assim como qualquer experiência, pode ser um aperitivo ou um banquete. O banquete presume abundância e liberdade. Dormir sob um céu coberto de estrelas, ver pegadas frescas de um animal selvagem ou admirar a imensidão da mata são experiências marcantes e transformadoras. E um dos papéis mais bonitos das áreas protegidas é ser o espaço para essas vivências.

Cada uma dessas experiências nutre nas crianças o reconhecimento da importância das áreas verdes protegidas para nossas vidas.

pulando corda

O que são parquinhos naturalizados e por que são considerados importantes?

Parquinhos naturalizados são aqueles em que os próprios elementos naturais – pedras, troncos, árvores, água, barrancos e degraus são o convite ao brincar. São aqueles que oferecem à criança liberdade e também privacidade, cantinhos onde ela pode estar só por alguns instantes. Eles acolhem crianças de todas as idades, habilidades e interesses para brincar e aprender, por meio da manipulação e interação com elementos, materiais, habitats e organismos naturais diversos. Nesses espaços, as crianças são encorajadas a viver experiências “mão na massa” e a conduzir suas próprias explorações, criando brincadeiras ao mesmo tempo em que exercitam habilidades motoras e sensoriais. Diversas pesquisas mostram que essas áreas são mais estimulantes, desafiadoras e acolhedoras para as crianças quando comparadas aos parquinhos tradicionais.

Como o contato da criança com a natureza se relaciona com a questão das telas na infância?

A nossa atenção e, consequentemente, o tempo que passamos na frente das telas são algumas das mais valiosas commodities da atualidade. Plataformas e aplicativos disputam nosso foco e tempo, e encontrar o equilíbrio no uso da tecnologia é um desafio contemporâneo.

Nesse contexto é fundamental valorizar alternativas engajadoras que concorram com o apelo das telas. A natureza, se coloca como importante alternativa, como espaço de encontros reais e significativos conosco mesmos, com os outros e com a vida, sem cobrar por isso.

Essa preocupação é particularmente importante em relação às crianças, por sua vulnerabilidade em relação à intoxicação digital, cujos sintomas mais evidentes incluem distúrbios de alimentação e sono, sedentarismo e isolamento social. Precisamos investir tempo, energia e esforços em ajudar as crianças a estabelecerem um reservatório, uma base de experiências concretas, diretas e reais, como cultivar um jardim, caminhar na rua, andar de bicicleta etc., para que elas possam aprender gradativamente a usar a tecnologia a seu favor, especialmente no que diz respeito à direção de sua atenção e ao uso do seu tempo.

Como o contato da criança com a natureza se relaciona com a questão da cultura do hiperconsumo?

Assim como na análise em relação às telas, a natureza é uma importante peça no desafio de proteger as infâncias da cultura do hiperconsumo. Essa batalha foi e continua a ser travada em várias frentes, tendo em vista sua relação sistêmica com diversas questões inerentes às infâncias contemporâneas – obesidade infantil, erotização precoce, violência familiar e consumo precoce de álcool e tabaco – e à sustentabilidade ambiental – mudanças climáticas, consumo sustentável e uso de recursos naturais.

Sabemos que o mercado deseja que as pessoas dependam de objetos, numa clara exaltação de valores materialistas e individualistas. Esses objetos são quase sempre associados a momentos de prazer e alegria. Na verdade, querem nos fazer acreditar que só seremos felizes se adquirirmos bens e serviços, incessantemente. Sair desse ciclo vicioso é tarefa hercúlea e complexa e exige, no que diz respeito às crianças, envolvimento do Estado, da sociedade e das famílias.

Acreditamos que uma das pistas nesse intrincado caminho é formar cidadãos capazes de lidar com a pressão do consumismo no futuro. Nesse sentido, a natureza é uma importante alternativa, um espaço privilegiado onde as crianças vivenciam experiências sensíveis e reais, baseadas em valores opostos aos da lógica do consumo, na direção da afetividade, das relações e da simplicidade.

A construção desse reservatório de experiências é feita no dia a dia, por todos nós, responsáveis pelas crianças, nas cidades, nas famílias e nas escolas. Quando levamos uma criança para brincar na praça ao final do dia, quando abrimos espaço para o convívio inter-idades na prática escolar, por meio de tempo desestruturado destinado ao brincar livre, ou quando trabalhamos ao lado de nossos vizinhos para revitalizar um espaço público, estamos contribuindo para ajudar a criança a construir referências de prazer e alegria que, um dia, serão contrapostas a alternativas ligadas ao consumo.

O que você pode fazer?

A Constituição Federal, em seu artigo 227, determina que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, sua proteção integral e seus interesses. Muito pode ser feito por todos – famílias, educadores, profissionais de saúde, ambientalistas e gestores públicos – para promover uma infância rica em natureza. A seguir apresentamos algumas sugestões:

Pessoas (mães, pais, responsáveis, avós, tios, tias, cuidadores e cuidadoras): priorizar o contato da criança com a natureza sempre que possível, nas escolhas e rotinas. Esse contato pode ser fomentado em diversos contextos, como ilustra a Pirâmide de Conexão com a Natureza (abaixo). Ela mostra a progressão, desde o contato cotidiano possível com a natureza perto de casa até experiências mais longas em áreas de natureza primitiva, longe de interferências humanas. Exemplos: fazer os deslocamentos rotineiros da criança a pé ou de bicicleta; mobilizar os vizinhos para revitalizar e cuidar das áreas verdes do bairro; organizar uma rua de lazer; optar, nos fins de semana, feriados e férias por passeios e viagens para áreas naturais ou com espaços abertos; contribuir com informações para o GPS da Natureza.

Jovens: organizar grupos natureza em família em seu bairro ou ser voluntário como guia em atividades ao ar livre e afins.

Profissionais de saúde: receitar a seus pacientes mais tempo na natureza, levar a mensagem do Criança e Natureza para os profissionais com quem se relaciona no dia a dia; organizar grupos de estudo e realizar pesquisas sobre o papel da conexão com a natureza no desenvolvimento integral das crianças e para a redução de sintomas de doenças na infância.

Educadores e gestores de escolas públicas e privadas: requalificar as práticas, a organização, os materiais, as rotinas e o tempo escolar, reconhecendo o brincar e o aprender com a – e na – natureza como um dos elementos centrais de uma educação vinculada com a própria vida; organizar grupos de estudo e discussão sobre a importância do contato entre a criança e a natureza e como tornar seu dia a dia na escola mais próximo da natureza.

Gestores e ativistas ambientais: aumentar a oferta de opções de visitação voltadas às famílias com crianças, como por exemplo trilhas, áreas de acampamento, áreas próprias para brincadeiras com água, parquinhos naturais, áreas onde seja permitido fazer fogueiras; contribuir com estudos que respaldem a importância do sentimento de afeto e pertencimento da criança à natureza próxima a ela como fundamental para a conservação das áreas naturais e para a formação de cidadãos capazes construir sociedades sustentáveis.

Gestores públicos (poderes Executivo e Legislativo): priorizar leis e medidas que tornem as cidades mais verdes e amigáveis à infância; escutar as crianças de forma atenta, sistemática e qualificada nos processos de planejamento urbano; criar e manter as áreas verdes existentes nas cidades tornando-as propícias para a frequência de crianças em seu dia a dia; designar áreas de trânsito reduzido e baixa velocidade para favorecer as brincadeiras de rua.

Profissionais que trabalham com a infância como psicólogos, artistas, arte-educadores etc.: convidar alunos e crianças a fazer arte com elementos naturais ou utilizar elementos naturais em suas obras de arte.

Formadores de opinião, jornalistas e comunicadores: escrever a respeito e dar luz em suas pautas à importância do contato com a natureza para a criança e para o meio ambiente.